Há alguns anos as pessoas poderiam me encontrar facilmente no ensaio de Tango. Eram os momentos mais agradáveis dos quais consigo me lembrar. A farda meio desfeita, mas às vezes ainda no corpo. No piso ou no tatame, éramos felizes. Verdadeiros dançarinos de tango ririam, mais tarde, do nosso bailar. Mas na nossa esfera isso nos elitizava. Dançávamos tango no exérito.
Braços e corpos tomavam forma. Olhares e pernas. Mas não era só isso. Era o tempo do subjetivo, o horário do pessoal, do familiar, do sentimental, do abstrato. O movimento era padronizado, nós não. Ríamos alto. Falávamos palavrão. A professora Maria Elisa por vezes sentava conosco no tatame. Falava do casamento, da família, de sexo, de amor, de carreira, da vida. Cofessávamos nossos íntimos. Purificávamos a nós mesmos naquele diálogo. Tirávamos os pesos. Aconselhávamos uns aos outros. E vivíamos.
Mas como treino é treino, na hora do ensaio o jogo era duro. Horas a fio. Movimentos... movimentos... em busca do movimento perfeito. Éramos amadores, claro. As limitações era respeitadas, obviamente. Mas ela sabia quando tínhamos muito mais a oferecer, podíamos ser muito melhores. E nessa hora ouvíamos a voz dela, um pouco rouca, um tanto longa: "Tá pobre! tá pobre! melhora esse pé, levanta esse braço, trabalha o olhar, a ponta. TÁ POBRE!"
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Eu tenho lido muitos blogs, algumas crônicas. Todos os dias. Marina W. descobri que não é anônima como eu. Ela manda bem mesmo. Silvio não escreve há tempo. Mas foi no blog dele que descobri a fama de Marina W.
Clarisse Verdolin e os blogs que ela indica. Tierro (te achei) e A FALA. Campelog. Mescrai da jana (fantástico).
Tenho lido também muitos artigos da minha Pedagogia Hospitalar. Todos os dias. Venero Rejane Fontes.
São tão admimiráveis!! Deleite para apaixonados pelas linguagens, como eu.
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Sento-me aqui ou acolá. Preciso escrever. PRECISO ESCREVER!! Mas, a cada linha, não me livro do eco da voz da Maria Elisa: "Tá pobre. tá muito pobre".
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