Wednesday, October 31, 2007
frase do dia - tirada do site www.oqueoshomenspensam.zip.net
Ciúme é tempero... só não pode roubar o sabor da comida...
Tuesday, October 30, 2007
texto de Ântônio Prata, em homenagem ao bolo da Tia Vera

Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo.
Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.
Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.
A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.
Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.
Monday, October 29, 2007
de repente...

Sei lá
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Aguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà-vu
Sei lá
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis-à-vis
Por isso eu quero mais
Não dá pra ser depois
Do que ficou pra trás
Agora que já é!
Saturday, October 27, 2007
socos, pontapes, e um otimo almoco com as amigas. O mundo eh muito bom, apesar de dificil.
Cia do boi da pampulha. Hj ate conseguimos equilibrar a conversa. Gargalhadas e conselhos francs. Como amo vcs, meninas! cervejinha, preguica, e daqui a pouco, outras amigas me esperam, muito amadas tb, para um pouco de amenidades.
Todo mundo espera alguma coisa de um sabado a noite.
Cia do boi da pampulha. Hj ate conseguimos equilibrar a conversa. Gargalhadas e conselhos francs. Como amo vcs, meninas! cervejinha, preguica, e daqui a pouco, outras amigas me esperam, muito amadas tb, para um pouco de amenidades.
Todo mundo espera alguma coisa de um sabado a noite.
Wednesday, October 24, 2007
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
Tuesday, October 23, 2007
última forma
Os leitores mais assíduos devem ter percebido que publiquei e tirei um post, em 24 horas.
Acontece que minha psicanalista disse que posso ter sido um pouco agressiva na minha lista sobre as verdades femininas (que eu não sabia, e que pretendo passar às minhas filhas); disse que os homens da minha vida - pai, irmãos, amor - podem não ter gostado.
Em respeito pois, a eles, retirei meu post, apesar de não achar que tinha intensão nenhuma de ser agressiva.
Depois posso tentar falar do tema de uma outra forma, certo?
No mais, adorei a visita de Tierro.
E no mais no mais, não estou fazendo um estágio e portanto, sem aulas... Isso me deu a chance de ler Grimble pro Rapha, foi bem legal.
(Lipe, volte logo).
Saudade de sete lagoas, das grandonas.Se não tiver churrasco no Alpha, quem sabe esse fds?...
Saudade de mim mesma, mas esse encontro talvez demore um pouco mais. Uma hora chega.
Acontece que minha psicanalista disse que posso ter sido um pouco agressiva na minha lista sobre as verdades femininas (que eu não sabia, e que pretendo passar às minhas filhas); disse que os homens da minha vida - pai, irmãos, amor - podem não ter gostado.
Em respeito pois, a eles, retirei meu post, apesar de não achar que tinha intensão nenhuma de ser agressiva.
Depois posso tentar falar do tema de uma outra forma, certo?
No mais, adorei a visita de Tierro.
E no mais no mais, não estou fazendo um estágio e portanto, sem aulas... Isso me deu a chance de ler Grimble pro Rapha, foi bem legal.
(Lipe, volte logo).
Saudade de sete lagoas, das grandonas.Se não tiver churrasco no Alpha, quem sabe esse fds?...
Saudade de mim mesma, mas esse encontro talvez demore um pouco mais. Uma hora chega.
Friday, October 19, 2007
Thursday, October 18, 2007
Wednesday, October 17, 2007
Tuesday, October 16, 2007
e a leseira às vezes volta
No avião, 6 da matina. Poltrona no meio.
Na janela a moça se levanta:"Você pode me dar licença? Preciso ir ao banheiro. Sabe como é né? Estou grávida, toda hora fico apertada!"
Eu não tinha percebido a barriguinha.
Ela vai, e volta.
Com aquele sorriso leve, pouco, sereno e contido. Sorriso de grávida mesmo.
Senta.
Como é bonita, arrumada. Mais ou menos minha idade. Roupas bonitas.Ela tinha tudo. E o principal: grávida. Uns 4 meses.
Claro que me senti uma imbecil quando lacrimejei ao olhar pra aquela barriga, aquela moça cochilando, naquele sono de grávida.
Tive que desfarçar, pra não ser ridicularizada. E pensei: "que merda! essa leseira de novo!"
Na janela a moça se levanta:"Você pode me dar licença? Preciso ir ao banheiro. Sabe como é né? Estou grávida, toda hora fico apertada!"
Eu não tinha percebido a barriguinha.
Ela vai, e volta.
Com aquele sorriso leve, pouco, sereno e contido. Sorriso de grávida mesmo.
Senta.
Como é bonita, arrumada. Mais ou menos minha idade. Roupas bonitas.Ela tinha tudo. E o principal: grávida. Uns 4 meses.
Claro que me senti uma imbecil quando lacrimejei ao olhar pra aquela barriga, aquela moça cochilando, naquele sono de grávida.
Tive que desfarçar, pra não ser ridicularizada. E pensei: "que merda! essa leseira de novo!"
mais uma de Xico Sá!!

PELA VOLTA DO CAFUNÉ -A CAMPANHA CONTINUA
Dos dengos femininos, ou historicamente femininos, o que mais nos faz falta, é o cafuné.
Nos dias avexados de hoje, não há mais tempo nem devoção para os delicados estalinhos no cocoruto do mancebo. Pela volta imediata do mais nobre dos gestos de carinho e delicadeza. Nem que seja pago, como o sexo das belas raparigas dos lupanares, mas que devolvam vossas mãos às nossas cabeças.
Pela criação imediata da Casa de Cafunés Gilberto Freyre, como me propõe, em sociedade, a amiga Maria Eduarda Risoflora Belém. Ótima idéia a ser espalhada por todo o país. Milhares de casas, guichês, varandas, redes debaixo de coqueiros, sofás na rua... Tudo a serviço dos breves e deliciosos estalinhos dos dedos das moças.
Gilberto Freyre era um entusiasta do cafuné e a ele dedicou páginas e páginas. GF, aliás, escrevia como quem dá cafuné, prosa mole, ritmo dos mais sensoriais. Como também assenta palavras outro Freire, sem o estilingue do Y, o Marcelino de “Contos Negreiros”.
Que machos & fêmeas sejam treinados, em um programa social de emergência, para reaprenderem o hábito do cafuné.
Melhor: que seja feita uma campanha de saúde pública. Ah, quantas doenças de fundo nervoso seriam evitadas, quantos barracos de casais seriam esquecidos, quantos juízos agoniados seriam libertos.
Sem se falar no erotismo que desperta o dengo, como anotou outro sociólogo, o francês Roger Bastide, no seu belo ensaio “Psicanálise do Cafuné”. Pura libido.
Delícia de se sentir; beleza de se ver. O cafuné de uma mulher em outra, ave palavra!, puro cinema, para além muito além do lesbian chic.
Como era comum, na leseira de fim de tarde, nos quintais e nas calçadas.
Ao luar, então, sertões e agrestes adentro, era puro filme de Kurosawa. O resto era silêncio.
Ai que preguiça boa danada, ai que arrepio no cangote, quero de volta meus cafunés.
Viver de brisa, como na receita de Bandeira, numa rede na rua da Aurora, varanda d´Áfricas.
Como pode uma criatura, como esses rapazes de hoje, passarem pela vida sem provar do êxtase de um cafuné?
Pela obrigatoriedade do cafuné nos recreios escolares, nas missas, nos cultos, nos intervalos dos jogos de qualquer esporte.
Não é possível que se condene toda uma geração a viver sem cafuné. Eis uma questão de segurança nacional. Tão importante como aprender a assinar o próprio nome. O cafuné, aliás, é a assinatura em linda e barroca caligrafia de mulher.
*(thiago, até que tens sorte, não?)*
Monday, October 15, 2007
Thursday, October 11, 2007
eu tenho febre... eu sei
Wednesday, October 10, 2007
china-in-box

Ele toca a campanhia e ela engasga com seu china-in-box. Tinha certeza que ele viria... assim, em plena terça-feira.
Vai ao banheiro, se olha no espelho sem saber porquê. E abre a porta.
Oi!
Oferece o china-in-box e seus palitinhos. Não, obrigado.
Amenidades.
Tantas coisas a dizer e... estão ali, lado a lado, como dois estranhos, vizinhos de pouco tempo, ou coisa assim.
Mas os olhos dele brilham. Esse é o detalhe. Os olhos dele brilham.
Conversa vai, conversa vem, e os olhos dele ainda brilham. Um brilho triste, machucado, mas ainda brilho.
As mãos dela suam, mas ela finge que não. O estômago embrulha, mas ela finge que não. A visão fica turva, mas ela finge que não.
Ele a acha incrivelmente bonita.
Ela pensa:"logo hoje que estou feia".
Silêncio.
E ela pensa:"Por que foi mesmo que eu não te quis?"
Antes de completar o raciocínio.... "pára, paparapapapára... na quatro por quatro o tempo voa. Whisky e energético, quanta mulher boa".
E ele atende o celular: Fala cara!
Bom te ver, até qualquer dia.
China-in-box.
Tuesday, October 09, 2007
perdendo da vida o que tem de melhor

Essa é uma boa hora pra escrever.... mais uma vez esperando um sanduiche ou a psicanalista.
E pensando quais dos meus problemas vou trazer a tona hoje, ou qual deles vou esconder na manga, ou ainda se será mesmo que tenho algum problema.
Mas por enquanto tá valendo a pena, meu bolso chora mas minhas olheiras agradecem.
O fato é que estou agitada, um pouco, e sei exatamente porque, mas não, não vou contar a ninguém. Escolhi que isso não vai tomar conta de mim e não vai. Valerianas e ritmoneurans a parte.
Meu cabelo cheira formol, mas é por uma boa causa.
Meu pai fala que isso mata. Mas cigarro tb mata, e mesmo assim ele fuma há 48 anos! Tá bom, isso foi uma frase imbecil, mas, enfim, estou agitada.
Feriado na praia, as expectativas são boas, principalmente se essa inquietação passar, de hj pra amanhã de preferência (eh fruto da minha cabecinha fértil, ou convivência demais com a janaína, ou o maldito orkut).
Vcs devem estar pensando: "pronto, ela tirou o dia pra escrever coisas sem nexo". Não é isso, mas tb não estou com saco pra me justificar.
Implicante? Q nada.
Fraca, isso que sou.
Mas um dia passa, como tudo.
"Hoje eu só quero que o dia termine bem".
Monday, October 08, 2007
Tuesday, October 02, 2007
Foi outro dia, e nem sei se deveria dizer isso aqui. Até porque o post de ontem ainda está tão quente... mas vá lá.
Minha psicanalista (chique demais isso, não?) me veio com a pergunta mais curiosa, e esperando, creio eu, a resposta mais óbvia: "Daniela, qndo vc se deu conta que homens e mulheres são diferentes? Quero dizer, pensam diferente, reagem de forma diferente diante de um mesmo fato?"
Eu nunca tinha pensado nisso, ou talvez não dessa forma, e ela e eu nos deparamos com uma resposta nada óbvia: "Sei lá, com uns... 19 anos!"
Ela ficou boquiaberta. "Morando a vida inteira com três homens??"
Eu, sem entender nada, respondi: "Talvez por isso??"
Jogamos bem, e rimos. Mas isso explica um bocado de coisa, eu acho. Pelo menos minha falta de paciência com certos lances(em mim), uma falta de aceitação, sei lá... todas essas coisas que a análise "trata" na gente, etc etc...
Num sei se dei muita sorte, ou se sempre fui tapada mesmo... Mas convivi com homens, garotos, tão bacanas na minha adolescência, tão.... Sei lá, talvez até então eu é que pensasse um pouco como esses seres estranhos - os homens.
Ser mulher é bacana, mas qndo eu pensava como eles, acho que eu era mais feliz.
Minha psicanalista (chique demais isso, não?) me veio com a pergunta mais curiosa, e esperando, creio eu, a resposta mais óbvia: "Daniela, qndo vc se deu conta que homens e mulheres são diferentes? Quero dizer, pensam diferente, reagem de forma diferente diante de um mesmo fato?"
Eu nunca tinha pensado nisso, ou talvez não dessa forma, e ela e eu nos deparamos com uma resposta nada óbvia: "Sei lá, com uns... 19 anos!"
Ela ficou boquiaberta. "Morando a vida inteira com três homens??"
Eu, sem entender nada, respondi: "Talvez por isso??"
Jogamos bem, e rimos. Mas isso explica um bocado de coisa, eu acho. Pelo menos minha falta de paciência com certos lances(em mim), uma falta de aceitação, sei lá... todas essas coisas que a análise "trata" na gente, etc etc...
Num sei se dei muita sorte, ou se sempre fui tapada mesmo... Mas convivi com homens, garotos, tão bacanas na minha adolescência, tão.... Sei lá, talvez até então eu é que pensasse um pouco como esses seres estranhos - os homens.
Ser mulher é bacana, mas qndo eu pensava como eles, acho que eu era mais feliz.
Monday, October 01, 2007
amanhã isso passa

"Me falaram que a da felicidade não pode tomar muito sol e nem receber água
todos os dias, mas precisa de luz e de um pouco de água dia sim, dia não.
Somo a tudo isso beijinhos, carinhos e palavras ditas baixinhas, perto do
caule. Outro dia cheguei ao cúmulo de ninar o vaso, o que meu deu uma
baita dor nas costas considerando que a planta, contando com toda a terra,
deve pesar uns 18 quilos.
A comigo ninguém pode é cheia de querer se esconder. E eu respeito isso.
Um pouquinho só de sol que recebeu, em uma das folhas, queimou.
Conversei com ela ontem, daquele jeito humilde que ela gosta: de joelhos e
preocupada. Agora ficou tudo bem, sei disso porque ontem nasceram duas
novas folhinhas. Fiquei tão feliz que cantei uma música para ela. Das minhas
filhas ela é a menos meiga, mas a mais corajosa. Tenho uma sensação boa de
que me protege de alguma coisa ruim. Dessas coisas ruins que a gente nem
sabe explicar o que é, mas entram por baixo de nossas portas.
Minha cachorra odeia abraço. Mas o que eu faço se sou a pessoa mais feliz
do mundo quando ela junta as patinhas atrás do meu pescoço e deita a
cabeça no meu ombro? Eu fecho os olhos e imagino que em vez de um
cachorro é um nenê lindo usando uma roupinha felpuda. Mas logo um latido
ou mesmo uma ameaça de mordida defensiva me tiram a ilusão e volto a me
sentir uma idiota: que porra ta acontecendo comigo?
Ontem terminei um projeto longo, daqueles que a gente fica meses parindo.
A sensação foi incrível. Cada folha que saia da impressora era mais um
pedaço do DNA criativo do meu filho. Juntei todo o trabalho e, quando dei
conta do que estava fazendo, percebi que estava sentindo o cheiro da nuca
das folhas sulfites. Só faltava bater nas costas do papel “chamequinho” pra
ver se ele arrotava. Bizarra. Tati, você anda bizarra.
(...)
Caguei para todos os homens do mundo que querem me pegar sem rastros.
Nem ligo também para os que querem me amar por uns 10 anos até me
darem um filho.
Eu quero um filho AGORA. Por isso me lixei para todos os
homens do universo. (...)
Já faz meses que não vou a festas, baladas ou coisas do tipo. Paro em frente
as festas e penso: e por acaso pega bem a uma mãe de família, a uma mãe de
recém nascido, a uma grávida de sete meses, pegar essa fila cheia de gente
ensebada e entrar nesse inferninho para ficar a noite inteira me esfragando
em desconhecidos para tentar me locomover? Claro que não! Aí dou meia
volta pra casa. Aí chego em casa e fica esse vazio. Não tem filho nenhum nem
dentro de mim e nem fora de mim.
E caio na risada, depois caio no choro: que porra é essa que ta acontecendo
comigo? Eu lá quero filho agora? Óbvio que não. Ainda sou tão nova, ainda
tenho tantas viagens para fazer, tantos garotos para namorar, tanto dinheiro
para ganhar, tanto trabalho a fazer.
Óbvio que não quero um filho agora.
Segundos depois acho tudo um lixo. Essas roupas modernas, esse dinheiro
guardado, esse dinheiro torrado em roupas modernas e viagens modernas.
Esses amigos blasés, esse mundinho das festinhas e baladas. Esses garotos
pra namorar e o buraco oco que fica depois. Todo e qualquer trabalho jogado
no mundo, sem uma única pessoa pra assistir comigo o meu sucesso ou o
meu fracasso e simplesmente sentir amor. Tudo lixo. Lixo. Lixo.
Eu só queria uma família. Essa é a verdade. Uma família minha, construída
por mim. Cansei de todo mundo e de todos os lugares. Cansei de ser menina,
adolescente, jovem. Eu só quero ser mulher, mãe.
Cansei de conquistar os vapores podres que deixam marcas que
ninguém vê mas voltam como fantasmas que fedem.
Cansei de tudo que não fica, que não engorda, que não frutifica, que não continua. Cansei de fechar a porta sabendo que é mais uma porta que não se abre. Cansei de perder aos poucos a pureza e ganhar aos poucos desespero.
O relógio biológico, como dizem, bateu. E isso é bizarro, é engraçado, é
louco, é assustador. E eu se fosse homem correria 100 metros rasos de mim.
Mas ainda mais bizarro, penso cá eu com meus hormônios que não me
deixam pensar, é se assustar com um pedido tão simples da vida: mais vida.
E volto a olhar minha barriga seca no espelho e a me perguntar: eu queria
tanto o mundo fora de mim, por que agora quero tanto o mundo dentro de
mim?"
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