dose duplaAcho que começo a descobrir porque não consigo escrever crônicas (publicáveis)!
Pelo menos um dos motivos eu começo a enxergar. É. Eu não sei escrever só sobre mim, ou só sobre um fato, uma situação, um tema. Tirando os textos acadêmicos (e só os textos mesmo, porque nas discussões presenciais também não funciona), eu sempre dou um jeito de tornar a coisa mais familiar.
Hoje por exemplo estávamos numa discussão antropológica na faculdade (que se aproxima bastante da idéia que eu faço de terapia em grupo) e num certo momento precisávamos nos definir. A Camila tinha que olhar em meus olhos e perguntar: “Daniela, quem é você?” E no tempo estipulado eu tinha que dizer quem sou eu. Invertíamos os papéis, Camila relatava-me sobre quem ela é, e então havia uma socialização, blá blá blá... é mais que isso, mas tenho preguiça de explicar.
Ao fim discutíamos a atividade proposta.
Lá pelas tantas, bem depois da hora que eu pretendia ter ido embora daquela maluquice (mas que até vale a pena de vez em quando) uma das alunas, uma adolescente irritante, (mas tão irritante que eu fico até culpada) resolveu abrir a boca pra dizer que a maioria de nós, pelas observações dela, têm dificuldade de falar sobre si mesmo, sozinho, sem colocar a mãe, o pai, o irmão, o namorado/marido, os filhos, o cachorro e o papagaio no meio. Tá. Lá fui eu argumentar que o que somos tem muito a ver com nossos pais e as pessoas que nos rodeiam, a quem amamos (os filhos então, nem se fala!), etc etc... Mas a moderadora do grupo e professora na ocasião revidou dizendo que nossas preferências e a forma com as quais lidamos com as pessoas que nos rodeiam muda, o que somos não muda e independe dessas outras pessoas. Tá de novo.
...
Resolvi ler as colunas de outras figuras da revista paradoxo . Escrevem bem todos.
Quando da faculdade de jornalismo, tudo que eu queria na vida era ser colunista; de comportamento, música, ou qualquer outra bobagem que sobre a qual eu tivesse vontade de discursar. Então todos diziam: “Mas isso é pra jornalista que já fez carreira, já fez nome, já trabalhou com tudo mais que há no jornalismo, blá blá blá”. Tá.
Esse tempo passou. Mas eu confesso que reparei, com certo frisson, que não há nenhum colunista de BH escrevendo por lá.
Bobagens à parte, percebi que eu poderia muito bem escrever como aquelas pessoas ali, mas a diferença gritante estava em: Eles não familiarizam a coisa. Discorrem sobre o tema e pronto, ainda que seja um tema simplório. Eles não enfiam nomes das pessoas de convívio e nem encaixam exemplos sobre a vida íntima como eu faço. Além de só saber falar de mim (dizem que é do signo), eu ainda familiarizo a coisa.
E daí não dá esse formato bonitinho que a gente vê por aí (ai que inveja da Janaína!! Ela consegue!), meio pessoal e meio impessoal, que as pessoas gostam de publicar, e ler, e etc, etc, etc...
Ai ai...
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