Wednesday, January 27, 2010


Friday, January 22, 2010


Cerca viDa

Eu faço uma cerca viva ao meu redor
dia a dia.
Teço com a hera e o capim que me restam
E com tudo de bom que há em mim
E que não encosta em você

Eu faço uma cerca viva ao meu redor
dia a dia.
Aqui dentro é seguro e quente
Dentro do possível
Eu mesma me acompanho

Eu faço uma cerca viva ao meu redor
dia a dia.
os tempos passam confortáveis
sou (até) feliz muitas vezes por dia
concentrada de mim

Eu faço uma cerca viva ao meu redor
dia a dia.
A construção é lenta
Mas quase não há espinhos
e quando há, são virados para fora

Eu faço uma cerca viva ao meu redor
dia a dia.
Espero que seu amor venha
Espero que seu amor vá
Espero.
Daniela Campelo

Wednesday, January 20, 2010

Hoje é dia do fusquinha

Eu quero!

Confesso

"Confesso, acordei achando tudo indiferente
Verdade, acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante?
Quem sabe o amor tenha chegado ao final...

Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas
Mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego,
Eu não te deixo em paz

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade
Mas já são "quarta" e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo
Ou não volte mais

Não vou pedir a porta aberta
É como olhar pra trás
Não vou mentir
Nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo,
Eu já roubei demais"
Ana Carolina

Tuesday, January 19, 2010

DE COMO INVENTAR UM FINAL FELIZ

Xico Sá


Neste veraneio, lembrei muito de Ilia, encanto de moça, musa do mar Mediterrâneo, grega que não gostava das tragédias escritas na sua terra, preferia sempre um outro final para tais histórias. Daí contava o mais triste das desgraças caseiras, como Édipo-Rei, por exemplo, sempre com epílogo de felicidade. Ninguém matava ninguém, muito menos filho e pai, a mãe só entrava no meio e, no “the end”, todos espocavam champanhe no litoral.
Conheci Ilia em “Nunca aos domingos”, filme de 1960, dirigido por um bravo Jules Dassin, homem perseguido nos EUA por causa das suas ideias generosamente comunistas.
Ilia é uma bela e caridosa prostituta. Quando gosta mesmo de um cara, não cobra nada. Em um bar na beira do cais, brinca de transformar o trágico em leveza. Os marinheiros e demais convivas riem abestalhados com tamanha graça da fofa.
Ela ama a vida, desde que nunca ouça o que chama "a voz de domingo", a conversa fiada do homem apaixonado que lhe pede em casamento. Ela quer apenas se divertir. E pronto.
Mas eis que chega Homero, um norte-americano abestalhadíssimo que vai para a Grécia estudar as razões da derrocada do macho helênico. A pretensão é entender porque um povo tão sábio, cujos professores foram Sócrates e Aristóteles, entre outros bambas da filosofia e da arte, está entregue à farra, à esbórnia e à banalidade.
Ele tenta, de todas as maneiras, tirar Ilia daquela vida. Só o conhecimento salva, pensava o besta. A loira (a atriz Melina Mercouri) até que cai um pouco no conto do mala, mas logo se recupera. Apenas um pequeno drama.
Mas o lindo é que continua convicta na sua forma de narrar qualquer história que um dia tenha sido trágica. O final, para a galega, terá sempre que ser feliz e litorâneo. E tudo acaba na beira-mar, diz a gênia, no seu mantra permanente.
E que 2010 seja um ano narrado pela generosa prostituta grega, que até admite as dores do mundo, as inevitáveis nódoas da rotina, mas que a tragédia não vingue nunca com toda a sua ira possível.

Friday, January 15, 2010


"Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
amada,

que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda".

Mário Quintana
http://www.germinaliteratura.com.br/ernesto_diniz.htm