Monday, November 28, 2005

Metalinguagem II?

dose dupla


Acho que começo a descobrir porque não consigo escrever crônicas (publicáveis)!
Pelo menos um dos motivos eu começo a enxergar. É. Eu não sei escrever só sobre mim, ou só sobre um fato, uma situação, um tema. Tirando os textos acadêmicos (e só os textos mesmo, porque nas discussões presenciais também não funciona), eu sempre dou um jeito de tornar a coisa mais familiar.

Hoje por exemplo estávamos numa discussão antropológica na faculdade (que se aproxima bastante da idéia que eu faço de terapia em grupo) e num certo momento precisávamos nos definir. A Camila tinha que olhar em meus olhos e perguntar: “Daniela, quem é você?” E no tempo estipulado eu tinha que dizer quem sou eu. Invertíamos os papéis, Camila relatava-me sobre quem ela é, e então havia uma socialização, blá blá blá... é mais que isso, mas tenho preguiça de explicar.

Ao fim discutíamos a atividade proposta.

Lá pelas tantas, bem depois da hora que eu pretendia ter ido embora daquela maluquice (mas que até vale a pena de vez em quando) uma das alunas, uma adolescente irritante, (mas tão irritante que eu fico até culpada) resolveu abrir a boca pra dizer que a maioria de nós, pelas observações dela, têm dificuldade de falar sobre si mesmo, sozinho, sem colocar a mãe, o pai, o irmão, o namorado/marido, os filhos, o cachorro e o papagaio no meio. Tá. Lá fui eu argumentar que o que somos tem muito a ver com nossos pais e as pessoas que nos rodeiam, a quem amamos (os filhos então, nem se fala!), etc etc... Mas a moderadora do grupo e professora na ocasião revidou dizendo que nossas preferências e a forma com as quais lidamos com as pessoas que nos rodeiam muda, o que somos não muda e independe dessas outras pessoas. Tá de novo.

...

Resolvi ler as colunas de outras figuras da revista
paradoxo . Escrevem bem todos.
Quando da faculdade de jornalismo, tudo que eu queria na vida era ser colunista; de comportamento, música, ou qualquer outra bobagem que sobre a qual eu tivesse vontade de discursar. Então todos diziam: “Mas isso é pra jornalista que já fez carreira, já fez nome, já trabalhou com tudo mais que há no jornalismo, blá blá blá”. Tá.
Esse tempo passou. Mas eu confesso que reparei, com certo frisson, que não há nenhum colunista de BH escrevendo por lá.
Bobagens à parte, percebi que eu poderia muito bem escrever como aquelas pessoas ali, mas a diferença gritante estava em: Eles não familiarizam a coisa. Discorrem sobre o tema e pronto, ainda que seja um tema simplório. Eles não enfiam nomes das pessoas de convívio e nem encaixam exemplos sobre a vida íntima como eu faço. Além de só saber falar de mim (dizem que é do signo), eu ainda familiarizo a coisa.
E daí não dá esse formato bonitinho que a gente vê por aí (ai que inveja da Janaína!! Ela consegue!), meio pessoal e meio impessoal, que as pessoas gostam de publicar, e ler, e etc, etc, etc...

Ai ai...

Friday, November 18, 2005

o verbo que me trai também me falta

Há alguns anos as pessoas poderiam me encontrar facilmente no ensaio de Tango. Eram os momentos mais agradáveis dos quais consigo me lembrar. A farda meio desfeita, mas às vezes ainda no corpo. No piso ou no tatame, éramos felizes. Verdadeiros dançarinos de tango ririam, mais tarde, do nosso bailar. Mas na nossa esfera isso nos elitizava. Dançávamos tango no exérito.

Braços e corpos tomavam forma. Olhares e pernas. Mas não era só isso. Era o tempo do subjetivo, o horário do pessoal, do familiar, do sentimental, do abstrato. O movimento era padronizado, nós não. Ríamos alto. Falávamos palavrão. A professora Maria Elisa por vezes sentava conosco no tatame. Falava do casamento, da família, de sexo, de amor, de carreira, da vida. Cofessávamos nossos íntimos. Purificávamos a nós mesmos naquele diálogo. Tirávamos os pesos. Aconselhávamos uns aos outros. E vivíamos.

Mas como treino é treino, na hora do ensaio o jogo era duro. Horas a fio. Movimentos... movimentos... em busca do movimento perfeito. Éramos amadores, claro. As limitações era respeitadas, obviamente. Mas ela sabia quando tínhamos muito mais a oferecer, podíamos ser muito melhores. E nessa hora ouvíamos a voz dela, um pouco rouca, um tanto longa: "Tá pobre! tá pobre! melhora esse pé, levanta esse braço, trabalha o olhar, a ponta. TÁ POBRE!"

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Eu tenho lido muitos blogs, algumas crônicas. Todos os dias. Marina W. descobri que não é anônima como eu. Ela manda bem mesmo. Silvio não escreve há tempo. Mas foi no blog dele que descobri a fama de Marina W.
Clarisse Verdolin e os blogs que ela indica. Tierro (te achei) e A FALA. Campelog. Mescrai da jana (fantástico).
Tenho lido também muitos artigos da minha Pedagogia Hospitalar. Todos os dias. Venero Rejane Fontes.


São tão admimiráveis!! Deleite para apaixonados pelas linguagens, como eu.

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Sento-me aqui ou acolá. Preciso escrever. PRECISO ESCREVER!! Mas, a cada linha, não me livro do eco da voz da Maria Elisa: "Tá pobre. tá muito pobre".

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Acho que os fones de ouvido me deixam meio fora do mundo... meio dentro de uma bolha, uma cápsula, sei lá. Isso em frente ao computador. Se estou caminhando, eu simplesmente sou cinema.

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Peguei a chuva de belo Horizonte inteira. Definitivamente, estive apaixonada em quase todos os meus novembros.

constatação





Constatei que eu adoro banheiros... com janelas. Sinto-me tão segura nos banheiros... confortável... (Eu comigo mesma né, Rafa?)
E os com janelas são demais. Assim não tenho problemas com a claustrofobia.

Wednesday, November 16, 2005

ampulheta

São 18 anos desde o desencarne da mamãe.

gosto. recomendo

Monday, November 14, 2005






Como comentou Otto Lara com Nelson Rodrigues, “Diante de Chico Buarque todo homem é um corno em potencial”

Friday, November 11, 2005

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Closer - Perto Demais


O outro blog que descobri é de um cara. Silvio o nome. Mas acho que ele não escreve muito por lá. Em compensação Marina W. escreve muito bem... e bastante.

Fiquei o dia inteiro querendo escrever aqui... um punhado de coisas... mas parece que é mesmo verdade que eu não funciono direito à noite. Esqueço até como se escreve.

Ontem fui embora debaixo de muita chuva. Um camarada daqui me acompanhou por parte do caminho. Coma na maioria das vezes que nos falamos, ele reclamava da carência na vida amorosa. Antes dele outras três amigas vieram me reclamar mais ou menos a mesma coisa. (Acho que atraio esse tipo de diálogo). Então eu me toquei o quando as pessoas se sentem sozinhas. E por poucos instantes senti-me culpada de não ter esses problemas. Sério. Solidão amorosa. Não me lembro o que é isso. Já tive.. mas não me lembro. As pessoas com quem eu tenho conversado estão tão fragilizadas, carentes... e a fala delas tomam o mesmo formato, sabe? Elas fazem as mesmas burradas... Vontade dá de juntar todos numa festa na minha casa, fechar a porta do quarto e dormir. Pelo menos assim as notícias seria mais animadoras no meu domingo de manhã.

Solidão todos temos... e eu estou em processo de aprender a ser só. Tenho adquirido êxitos. Mas é uma solidão diferente. Um dia escrevo sobre...
A solidão dessas pessoas acaba com o ego... E a sede delas é tanta, que as faz ainda mais sós... Parece que está escrito na testa dessas figuras "quero um amor pra vida inteira". Só pode ser!! Todas que eu conheço são pessoas lindas, inteligentes, interessantes, divertidas... e completamente sozinhas. Nada dá certo! Acho que essa frase tatuada na testa deve meter medo nas outras gentes. Só pode ser isso.

E eu fico nesse fogo cruzado desses sujeitos, quando na verdade nenhuma palavra amiga funciona. E o pior: Começo a me sentir um monstro por ser bem amada, por ter quem me goste, por gostar de alguém... E por saber que sempre terei. Sinto-me pedante. Mas sempre terei.

Monday, November 07, 2005

...tua beleza é um avião...

Hj, por acaso, procurando as coisas mais inusitadas na net, já que não achei o artigo que eu tinha que ler, e também, pra variar, a disposição pras outras coisas é bem maior que para os estudos mais massantes, achei dois blogs bacanas, de umas pessoas com quem até pretendo me contactar, quem sabe. Uma mulher - Marina W.- e o outro eu acho que é um homem que escreve, mas não tenho certeza, pode ser mulher também.
Bacana, mas percebi que esse blog não é o que eu queria que fosse. Quem o lê não sabe que sou eu. Tá bom, tem aquele papo que nem eu sei quem sou, mas acho que esse blog não tem tanto minha cara, o que vcs acham? Acho que faltam as benditas fotos. Felipe, ó campelo! Save-me! Como posso "postar' fotos aqui?

Enquanto seu lobo não vem, vou escrevendo por aqui. Janis nos ouvidos... tava com saudade dela. Perdi todas as músicas que tinha no meu computador no último "pití" que ele deu, mas graças a prudência da Janaína achei a pasta da Janis:)

Final de semana, ao interessados, foi bem bacana, pacato. Sexta: Final da novela, né? meia boca. A semi-final foi mais legal. Sábado: Arrumação de casa e tals... ê vida! Shopping e chopinho com Janaína, e aquele lance de funghi que eu e leo adoramos no fim de noite. Depois casa correndo. Deu crise da tal narcolepsia, sei lá! Até machuquei a cabeça por dormir de repente. Mas sem detalhes patéticos. Domingo: Parque com Raphinha. Foi show! Depois lavar roupa, hahahaahah, domingo, acreditem! Então, já estava lá mesmo, inventei uma receita de broa de fubá com queijo. É, inventei, eu inventei, viu? E ficou até comestível!! Essa vou mandar pra Ana Paula, tou devendo, né? Então, aí DVD do Chico com papai, e dormir... com o Rapha na minha cama! Quem dorme, me diz? (o bicho papão tem chifres no nariz, fiquei sabendo ontem).

And so it is.

Caramba! Eu não sei por que eu tenho mania de arrastar tanto minhas graduações.... Não sei se nasci pra estudar não, viu? Eu até gosto, mas não tenho compromisso com as coisas.. e assim não chego a lugar algum.

Internamente... internamente?

"em que fase você está, Daniela?" - O Nando perguntou. Com aquele jeito de pronunciar meu nome que só ele tem. Abrindo a boca de um jeito... sei lá, um jeito que é dele. Não sei, Nando. Não sei em que fase eu estou não. Acho que nova, se é pra comparar com a Lua, tou de Lua Nova... Vou crescer ainda, mas já parei de minguar. Fase família, instavelmente pacata; estavelmente, e espero que definitivamente, cristã.

Quero ir ao cinema, mas vai chover.

O título do post, antes que eu me esqueça, tiro da bossa nova, grande paixão (uma das) e é em homenagem (espero que não pareça um infame trocadilho, mesmo que de fato o seja) ao KDT Scheer, Felipe de Faria Scheer; mas pra mim, pra Alinne amiga, para a maior parte do amigos e familiares, sei lá, e pra Aline namorada (também deve ser) somente FIL! Valeu pelas fotos, depois de séculos sem contato. Bacana! Só vista louca. Coloca lá no orkut, vai ficar show!! (Fil, vc crê que eu sei o aniversário do Todd? 19 de março. Kd ele?)

Ah! Aos que interessam: Nos ouvidos, como eu já disse, Janis.
Para ler: Ensaio sobre a cegueira - José Saramago. (Valeu rafa! Tou adorando. essa semana termino). Fui, inclusive, esqueci de contar, ao lançamento do "As intermitências da morte". Saramago palestrou por quase uma hora. Tou fã.
Assistir: Hum. quero ir ao cinema. Artur tá recomendando "A Queda", pra locar.
E pra pensar, hein?
Bom, Ainda tou com a proposta de Cristo, mas se querem coisa nova, que tal pensar no peso que a cultura tem sobre os nossos atos? É, a cultura que nos é passada, de pai pra filho, que já está fixa na cabeça da gente... Ela fica ali. Ao mesmo tempo que está no todo, está escondida, no cantinho, e sem vc peceber ela te impede de agir dessa ou daquela forma. A gente só não pode esquecer, e aí eu passo por Nietche (é assim?), que quem "faz" (precisava de um termo melhor) a cultura, as regras sociais, os princípios, os valores, e tal e coisa, é o próprio sujeito, o ser social, isso! Nós mesmos. E de repente as normas sociais, enraizadas pela cultura, tomam um caráter maior do que deveria; acabam sendo mitificadas, e o que era pra ser princípios de bem estar social, viram regras que, em alguns casos, frustram certas figuras por uma vida inteira! Por isso, se queremos pensar em alguma coisa últil, abramos os olhos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não saiamos também burlando tudo quanto é lei... mas não nos deixemos sufocar por princípios sociais que não protegem ninguém, só fazem tolhir nossas manifestações.

Té+.