Monday, December 26, 2005

reprise para novos visitantes!

Os plágios do que eu sinto

Não conseguir concentração é um pouco incômodo pra quem quer compor algo depois de muito tempo longe das canetas tinteiro... Ora! Por que não procurar por um canto isolado?
Decidir dedicar quando grandes transações são decididas ao redor... Faça-me o favor!!
Além de um bocado de tristeza, pra fazer um samba com beleza também é necessário o mínimo de reflexão. Talvez eu conseguisse há algum tempo... Versos que não valiam pra ficar... Verdadeiros e escancarados demais. O poeta tem que sem um pouco fingidor, não é mesmo? Que seja! Mesmo que os poetas sejam falsos (como eu), seus versos serão bons! E algumas hipérboles e uns poucos eufemismos não fazem mal a ninguém.

Estamos então, nós dois.
Eu na fome de escrever, de devorar essas linhas, essa tinta, essas teclas, enfim! (fazer valer essa modernidade!). Você, na sede de ler algo que mexa. Ou apenas te distraia nos momentos de inquietude. Inquietude? Qual? A que carrego no coração e na alma?
Essa febre, um fogo leve que eu peguei? (deve ser da idade...) Se buscou as letras por alguma palavra ou conselho (como aquelas pessoas que abrem os livros sagrados à procura de lições, ou que lêem os números das casas procurando prêmios de loteria), posso te passar, sem precisar me isolar, esse furacão que quero viver. A intensidade que flui nesse meu corpo, essa minha mania de achar que a vida pode ser maravilhosa. Esse lance de ver luz e balanço nas belezas de todo dia. Essa vivacidade que quero enxergar no simples, no quotidiano.
Essa gargalhada escancarada. Isso posso te passar. E se é o que busca, pode fechar os olhos ou o papel (ou o arquivo, sabe lá!?). Mais do que isso já não consigo. O mundo passa acelerado ao meu redor; homens e seus negócios, mulheres e seus horários. Sei não...
Talvez se eu tivesse aquela velha árvore, aquela boa brisa, aqueles passarinhos...
Ainda assim nada sairia aqui nesse papel. Talvez por isso essa alegria e essa vontade imensa me sufoquem. Queria que todos vissem, queria abrir o peito em vento... Que uma música agressiva e boa rebatesse no meu palato... O poema... A balada... Queria me despir pro mundo (mas ele faz charme!). Sei não... Será que, sendo assim, não voltaria aos meus versos meninos de pés no chão? Penso que meus cânticos nunca sairão de mim, ainda que haja o momento de reflexão; ainda que haja o isolamento; ainda que eu tenha o dicionário na cabeça e nas mãos. Ainda que eu tenha passado esses poucos anos aprimorando minhas concordâncias...
Da minha boca não ressoa meu samba bem pra frente...
Privo-me então de dizer realmente o que eu acho. E nessa frustração de não alcançar meus versos,
(in)coerentemente assino embaixo.

(Belo Horizonte, 06 de julho de 2004)

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