Thursday, December 08, 2005

Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade... até a próxima vez!

Há alguns dias não recebo as gotas de carinho que encontrava quase que diariamente na minha caixa de e-mails. Confesso que estranhei sua não resposta no e-mail que encaminhei na sexta feira; mas como era encaminhado, e sei que no novo setor você anda muito ocupado, pensei que fosse puro stress do dia a dia. Pelas minhas contas, sua última mensagem veio na quarta e eu bem pensei que em breve viriam as notícias do fim de semana, como de costume.

Pois é... meu tão querido bem, você sempre me pergunta como foi o meu dia, então eu te conto que hoje pela manhã eu caminhei sob uma chuva muito fininha, num campo bem verde, de onde obtive uma linda vista. Minha caminhada durou pouco mais de 3 minutos, mas pude pensar bastante.
Você iria gostar de me acompanhar nessa caminhada, e com certeza atentaria para detalhes das plantas que quase ninguém vê. Foi intrigante fazer uma caminhada com todas aquelas pessoas. Algumas eu já conhecia, mas muitas delas são personagens do seu discurso diário, pessoas do seu mundo, das quais sei alguma coisa, mas nunca as tinha visto.
O sol teimava em apontar... mas a chuva fina não cessava, e me lembrava das suas gotas de carinho e amizade. Todas as tardes, (e nos últimos tempos mais ou menos de 3 em 3 dias), você me presenteia com uma mensagem doce, notícias sobre a sua vida, sobre o seu amor, sua família, Chico Buarque, os campeonatos de futebol. Por suas mãos conheci muito de Clarice Lispector, de Mário Quintana, e tantas outras leituras. (Acabo de lembrar que tem um livro meu contigo). Conheci o carinho incondicional, a amizade mais que sincera, o querer-bem puro. Nas nossas curtas conversas diárias posso ser eu mesma, com minhas fraquezas e virtudes, e você, meu amigo, me estende as mãos em qualquer ocasião.
Eu sei que é tolice, mas nessas horas vem à mente tudo que podia ter sido, e não foi. Quantos convites pra comer um sanduíche, tantas vezes que me cobrou telefonemas, notícias, respostas... Eu sou muito relapsa, sempre.

(...)

A agenda desse próximo ano está linda! Pensei em te mandar uma. Fiquei de fazer o pedido quinta, mas pra variar esqueci. Ela só não está mais que a do ano passado, onde tenho recados seus no dia do meu aniversário, aquela parábola que você gosta e a música para que eu me lembre quando estiver triste.

(...)

Uma doce e fresca flor se abrindo... É a sensação de cada presente diário que me dá, em música e poesia, pensamento, ou mesmo um Olá. Piegas? Talvez. Não mais que seus discos do Amado Batista.

Estive com sua amada. Como o amor de vocês é lindo, meu Deus! NEOQAV, ela disse, ela escreveu. Você sabe né? Tive vontade de dizer a ela sobre as nossas conversas, sobre o seu amor por ela e tudo mais. Mas se você acha que não é bom não digo. Respeito sempre foi a base da nossa amizade.
Lembro de uma vez que nos vimos, acho que a penúltima. Não. Antepenúltima. Encontro rápido; trocamos livros, algo assim. Não sei o que houve, seus olhos se encheram de lágrimas. Disse que se emocionou. Não sei direito porquê. E hoje sou eu que nao dou conta de parar.

É. A riqueza que nós temos ninguém consegue perceber. Voce disse. Mas não importa. Nós percebemos.

Meu amigo, meu tão querido bem. Vá em paz. E agora, mais que nunca, só Deus sabe em qual rua minha vida vai encostar na tua. Mas, pra que chorar se nada é pra sempre, certo?

Ficam seus ensinamentos. Seu exemplo. Seu carinho. Sua delicadeza. Sua alegria. Minha vontade de escrever para você e sobre você até o sol se por e nascer de novo. Fica a nossa amizade. Amo.

(ao meu amigo e tao querido bem, Valde, desencarnado terça, enterrado ontem pela manha. Febre maculosa, creiam!)

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