Monday, June 05, 2006

"Eu estava chorando seu nome.
Lágrimas de vidro.
Como pequenos diamentes.

Cortei os meus pés nas suas lembranças.
E o problema sou eu, estendida no chão, implorando para virar fumaça.

Vou te contar um segredo:
meu sangue não é vermelho.
Mas ele tem gosto de ferro; e eu sou toda de ferro.
E o meu sangue não escorre.

Estou sozinha apenas durante o dia.
Se abro os braços sou tomada por tantos ventos que consigo até voar.
A distância é pequena, não se esqueça nunca disso.
Nem de que somos estrelas mortas acalentando os mortos-vivos da terra.

Eu quero ir para casa.

Sou feita de frases curtas.
Escuta, eu te chamo todos os dias.
Eu sei que lá estão todos cansados de silêncio.
Ele me contou.
Eu estou apenas cansada de esperança.

E é assim que termina?

Está frio.
Fiz um colar com suas promessas.
Não somos fruto do acaso (nem do destino).
Não somos eternos como eu gostaria, também.
Nem somos.
Você é, e eu resisto."

(Mariele Góes)

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