
"De todas as personas que me habitam, uma só delas não te ama. Ama-te o desvairado dos escuros becos, o que bebe absinto nas noites portenhas. Ama-te o menino das margaridas brincando de roda em campos chilenos. Ama-te o homem do Mar, que esperará até sempre teu regresso ensalitrado de vagas e marolas. Sobretudo, ama-te o homem que entrega-se inconteste e repousa os olhos nos olhos teus e penetra através deles. Porém, um deles, um só, ainda não aprendeu a amar-te: o homem dos medos e das ausências. Porque teu amor não é amor de impermanência. Porque teu amor é amor de claridade. Porque é leve e doce e pleno como um acalanto. E porque nele, nele não cabe o homem das solidões agora inexistentes".
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