Wednesday, January 28, 2009
Até tu, Saramago?
De Giovana Madalosso.
Eu estava na internet quando me deparei com a foto do ilustre português abraçado com sua esposa. Que decepção. Achei que Saramago fosse casado com uma senhorinha curvada pelo tempo, e não com uma morena esguia, de pele lisa e corada, com rugas tão sutis que é preciso dar um zoom para vê-las. Fechei a página. Se até esse devoto do intelecto e da alma escolheu uma mulher mais nova, o que será de nós, fêmeas, na idade avançada?
Não tem jeito. Antes de ser intelectual, ativista político, escritor e prêmio Nobel de Literatura, Saramago é homem. E homem gosta é de mulher bonita. Borges confirma. Aos oitenta e cinco anos, o escritor casou-se com Maria Kodama, quatro décadas mais nova do que ele. Na ocasião, Borges já estava cego, mas nem isso o impediu de dar uma conferida no material. Conta-se que, antes de propor o casamento, ele perguntou a sua empregada: Maria é bonita? Nem feia, nem bonita, ouviu como resposta. E então, certo de que não estava desposando uma de suas personagens de quatro mil olhos e quatro mil orelhas, casou-se com a jovem.
É claro que para Borges, Saramago ou qualquer outro portador de cromossomos XY também pesam outras qualidades. Além de bela, a Pilar de Saramago é uma mulher interessante, excelente tradutora, e a empatia entre os dois é inquestionável. A Maria de Borges também foi uma grande companheira. A questão não é com quantos atributos se faz uma paixão, mas qual o peso desses atributos. Dispa uma modelo e uma velhinha doutorada na frente de um homem e o orgão dele lhe apontará a resposta.
Condenável? De maneira alguma. É absolutamente instintivo, portanto não passível de retaliação. Até porque as mulheres também têm seu método de escolha. Só que, nesse caso, o ouvido vem antes e a visão, depois. O sujeito pode ser careca, barrigudo e peludo como um primata, mas se disser a coisa certa, leva. Mulher gosta de homem inteligente, dotado de atitude e, de preferência, bem-sucedido, não pela segurança financeira que isso proporciona, mas porque para elas é a admiração, e não a carne, o maior afrodisíaco.
Se é assim, o macho também precisa se destacar entre seus pares. Claro, rapaz. Está pensando que a vida é fácil? A diferença é que, com elas, o critério é muito mais cruel. Um bom papo se arranja, e só tende a melhorar com o tempo. Já a beleza física vai se esvaindo cada vez mais.
A sorte é que, na idade avançada, as mulheres vivem bem sem os homens. Já esses, pobres sofredores, passam até seus últimos dias, ainda que cegos, esquadrinhando o mundo por um rabo-de-saia.
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