Eu descobri onde mora o amor de uma mulher por um homem. Não é numa noite de amor, num beijo apaixonado, nem nas flores que amamos ganhar. Não é no perdão, nem no acolhimento. É no sono.
Quando uma mulher encontra o homem da sua vida em sono, cai por terra todas as suas armas, todas as reclamações, todas as falhas, os desejos, até as gargalhadas. Não há mais nada.
O homem não é mais aquela fortaleza, não é firme, não é displiscente, não põe medo, nem insegurança, não sente ciúme, não reclama, nem se afasta.
Ele está lá, completamente exposto. A mulher não quer nada dele.
Só quer defendê-lo, observá-lo, velá-lo amá-lo.
É como se o momento ficasse suspenso no ar.
E ali, calada, a mulher pode amar verdadeiramente.
Eu olhei você dormir e de repente, sem perceber, tudo que eu queria era morar ali naquelas suas pálpebras um pouco roxas. Ser a menina dos seus olhos, talvez.
Eu podia passar horas apenas olhando você puxar involuntariamente seu lábio inferior um pouquinho pra dentro, vez ou outra, ou respirando pesado...
Mil coisas acontecendo ao redor, mas... eu queria estar exatamente ali, olhando pra você - menino - dormindo preguiçoso.
Eu que faço tanta questão da palavra, poderia respirar o seu silêncio.
E de repente um bocejo, um espreguiço.
Sou a mulher mais feliz do mundo ao ver seus olhos verdes abertos pra mim.
Mas é hora de ser tudo aquilo que eu devo ser, tudo aquilo que você é...
Só o que quero então é ganhar um beijo, e esperar teu sono novamente.
1 comment:
Sei bem o que é! Não sei se já te falei dessa música, mas acho q ela descreve bem isso:
Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu deesejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar
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