Aquele papel que sempre enceno
aquele teatro repetidamente montado
Aquelas palavras já decoradas
Aquela sensação de que o mundo está parando num escuro infinito
Aquele velho consolo de que tudo vai melhorar
Aquela sonora e ecoante gargalhada do destino
Tudo isso se fez presente um dia desses
Num desses sonhos ruins
De uma dessas pessoas arruinadas que perambulam por aí
Foi cinematográfico... a voz seca do outro lado do telefone
Repetindo os mesmos verbos do passado
No mesmo tom de voz monocordial
deste lado... o corpo em chamas tomba pelos abismos da sala em uma taquicardia
Não acreditando e tocando os móveis que se tornavam etéreos
Se sufocando em palavras das mais sinceras e fortes
Desnecessário... desnecessário... totalmente desnecessário.
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