Saturday, March 18, 2006

Anteontem pela manhã eu passei pelo centrão de BH. Há algum tempo isso seria uma rotina diária, mas de uns tempos pra cá eu não passo mais por lá. Só pego um pedacinho do centro pra ir à faculdade... bem de manhã.

Mas ontem rolou. Era quase meio dia e eu estava na praça sete. Aquelas pessoas se trombando, falando alto (eu tb fala MUITO ALTO). Moças xingavam os motoristas, mesmo atravessando com sinal fechado pra pedestres. Velhinhas falando palavrão (é, as velhinhas do subúrbio falam palavrão), crianças sujas, papel no chão.

Então eu me senti miserável, eu me senti suja e culpada. Culpada por sentir aversão, por querer sair dali. Eu entrei num táxi (vejam, eu poderia vir a pé!!) o mais rápido possível e pedi: "Pra savassi, por favor!". Era quase uma súplica. Eu queria sair dali, era tudo incômodo, era tudo feio. Eu queria meu escritório fechado, eu queria ver aqueles adolescentes patéticos em frente ao Mac Donald's. Queria as vitrines e as faixas de pedestres organizadas. Queria o meu salto agarrando nos paralelepípedos da calçada limpa. Eu queria fechar os olhos pra aquele povo sujo e sofrido, de vida dura, que na verdade sou eu também. Eu simplesmente quis fugir... e fingir.



Doeu o coração, porque eu não faço nada a respeito, porque eu não quis olhar, porque eu achei, naquela hora, que não tinha mais jeito. Doeu porque a pobreza é feia.



(E me lembrei do caso do vereador ou deputado, sei lá, que faz doações pro morro que eu não vou falar o nome. Ele faz pra conseguir votos? Talvez... mas que seja. Ele entrega as doações de alimento e material de construção pro líder comunitário, que mora no morro, que é do morro, que foi eleito pelo morro. E O CARA VENDE AS PARADAS!! Ele vende as doações... ELE VENDE!! E eu não faço nada... Fico em casa navegando na net. E vc tb não faz nada... É isso. Que merda.)

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