Friday, January 14, 2005

Marcel

O Gustavo costuma dizer que a gente normalmente, só saca o quanto foi bom uma coisa na nossa vida, depois que já passou. (É mais ou menos isso, com outras palavras. Desculpa, Gustavo, se eu tiver entendido errado).
Eu penso assim da PUC. Eu odiava a PUC. Simplesmente, não me adaptei. E hoje eu vejo que eu não soube aproveitar o tempo que passei lá como devia. Sinto falta... Mas esse lance de voltar no tempo não existe, né? (atenção pessoas: não me arrependo de estar na pedagogia, ouviram? Apenas sinto falta da puc, seu ambiente e pessoas).
Mas na verdade eu não queria falar da PUC, nem do prédio 13, nem do Jornalismo, em específico... Essa explicação tenho que dar às pessoas diariamente (por que saí, por que pedagogia, por que isso, por que aquilo...). Eu queria falar do Marcel, que acaba retratando um pouco disso tudo.
Penso que não curti a amizade do Marcel tanto quanto eu podia... Ou, se curti, só agora vejo o quanto foi legal.
Tá bom, quem é Marcel: Marcel é o mais peça rara de todos. Jornalista fantástico! Sabe tudo de cinema, e é umas das poucas pessoas que eu conheço que eu prefira o jeito dele escrever ao meu (Calma! Eu confesso um pouco de vaidade exacerbada nisso... É claro que 95% dos escritores que leio são 100% melhores que eu. Mas das pessoas com quem eu convivo, reles mortais, são poucos que eu prefiro a maneira do outro de escrever a minha. Meu irmão é um deles.). Inclusive tem um caso engraçado sobre isso, mas depois se eu resolver eu conto. Marcel é também, ou pelo menos era, um dos caras mais toscos que eu já vi. De 10 palavras que ele pronunciava, 7 era palavrões. Não dá pra imaginar um peça desse andando pra cima e pra baixo comigo, né? Ainda mais na época da PUC, que eu era mais fresca ainda com palavrões.
Mas a gente se entendia. Éramos uma dupla. Pelo menos eu via assim. Pode ser que ele ria disso. Paciência. Pode rir viu, Sr. Marcel!!
O fato é que sorrio com doçura ao lembrar desse peça rara. Das provas de sociologia, Teoria da Comunicação e tudo mais que fazíamos em dupla. De quando colocou um filme pornô no nosso trabalho do Serelle (Oficina?) e eu nem sabia. De quando colocou uma loirássa seminua como minha assinatura no site do Nixon...
O Marcel é único. Uma das pessoas mais desagradáveis que já vi... à primeira vista. Uma das mais surpreendentes, à segunda vista.
A maneira como ele tentava se policiar pra não me atingir muito com as baboseiras que ele falava. A maneira inusitada de fazer os trabalhos... Fantásticos!! A maneira de jogar meu humor pra cima, sempre... Da maneira mais tosca possível.
Tínhamos uma boa amizade... Talvez eu não tenha visto isso direito na época da puc.
Lembro de quando fomos numa parada de recuperação de drogados pra fazer um trabalho... Se existe alguém que dirige mal, esse alguém é o Marcel. Quando fui entrar no carro, já saquei que estava sem maçaneta: Ele tinha deixado a maçaneta na parede da garagem! Quase morremos ao atravessar a via expressa, furando o sinal, obviamente, e quase subindo na calçada!!
O Marcel é um louco. Só sabia falar pornografia e palavrão. Mas ele tentava se conter quando estava comigo. Do seu jeito, me respeitava ao extremo. Ta bom, desculpa, eu já disse isso. O Marcel é uma parcela enorme da minha nostalgia da puc.
Depois vieram a carta, que eu, burra, rasguei (Ta bom Marcel, desculpa! Eu nunca fiz isso com carta nenhuma, mas não sei porque achei que tinha que fazer com a sua. Desculpa mesmo), a briga sobre seus caracteres nipônicos, e por fim um “Vai tomar no...” dele, que ele negou tempos depois...
Certas coisas acabam de um jeito estranho, e minha “parceria” com o Marcel acabou meio assim.
Foi a única pessoa de quem quis me despedir quando saí da puc, mas não o encontrei. Já tínhamos “brigado”... deixei pra lá.

Bom, lembrei do Marcel ao ler, na semana passada, o Livro: Confissões de um homem sincero. Acho que é isso mesmo. O autor é Fábio Hernandez, que escrevia para VIP. Não sei como a faculdade de Jornalismo vê esse cara, ele se vê (ou diz que se vê) como um escritor barato.
Eu não sei, mas o tempo que li, lembrei do Marcel. O cara é bem mais sensível, aparentemente que o Marcel, e fala bem menos palavrões. Na verdade, nem sei se ele tem alguma coisa a ver com o Marcel, mas desconfio que, na minha época de PUC, o Marcel lia Vip, por isso, vezes era sensível como um cavalheiro, vezes cruel como um cossaco russo (pode rir, fiinho!).


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